Sociedade cientí­fica de inflamação é criada no Brasil

Fundada em 6 de de Dezembro de 1999, a Sociedade Brasileira de Inflamação, SBIn (pronuncia-se “esse-bin”), há pouco tempo atrás foi relançada. A reabertura teve caráter oficial durante o 1° Simpósio Internacional Sobre Doenças Inflamatórias, evento conhecido como INFLAMMA, que aconteceu na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto entre 9 e 11 de junho, no ano de 2015. A ocasião reuniu pesquisadores de diversas áreas das ciências biomédicas com interesse específico em processos inflamatórios.
De acordo com o presidente da Sociedade e professor da Faculdade de Farmacologia da USP-Ribeirão, Fernando Cunha, um dos objetivos da SBIn é dar mais espaço à medicina translacional no estudo de inflamações. A abordagem estuda doenças em seu aspecto clínico e em modelos experimentais, mesclando pesquisa básica e sua aplicabilidade – gerando assim, “um melhor entendimento de novos tratamentos e do porquê certas drogas funcionam e outras não”, observa Cunha. O professor diz que poucas sociedades têm este foco porque é uma modalidade relativamente nova em ciência – mas que algumas associações pelo mundo, como a International Association of Inflamatory Societies (IAIS), já trabalham com ênfase em medicina translacional.

Outra razão para o relançamento da SBIn, Cunha destaca, é promover uma interlocução mais específica com a IAIS. O diálogo entre a comunidade científica brasileira e a associação internacional era realizada pela SBI até então e foi, ao ver de Cunha, muito bem-sucedida. A Imunologia, no entanto, “tem interesses mais amplos do que a Inflamação”, e, por isso, tornou-se necessário criar uma sociedade de pesquisa com foco em processos inflamatórios a fim de atender a pesquisadores que estudam o tema fora da Imunologia. “De uns tempos para cá, doenças inflamatórias deixaram de ser tratadas como doenças autoimunes”, o professor aponta.
Ele ressalta que existem doenças inflamatórias com origem em disfunções da resposta imune, como artrite reumatoide, esclerose múltipla, colite – bem como outras de origem infecciosa, como leishmaniose e doença de Chagas. Doenças metabólicas como diabetes e arteriosclerose também se enquadram na categoria das inflamatórias – e mesmo algumas neurodegenerativas, como o mal de Alzheimer, ou doenças psiquiátricas como a depressão geralmente têm um componente inflamatório relacionado a elas. Assim, “a inflamação passou a ser o pano de fundo de várias doenças que antigamente não eram consideradas inflamatórias”, observa Cunha.

Para discutir estas questões, a SBIn espera reunir desde farmacologistas que trabalham com inflamação e imunologistas que estudam componentes da resposta inflamatória em doenças a neurologistas que trabalham com doenças neurodegenerativas e reumatologistas de todos os matizes. A ideia, conta Cunha, é agregar conhecimento ao trabalho que sociedades como a SBI e a de Farmacologia, por exemplo, já fazem – sem sobrepor, contudo, interesses ou atividades. “Queremos fazer o congresso da Sociedade bianualmente, a começar pelo ano que vem, sempre no primeiro semestre para não se sobrepor à agenda de congressos de outras sociedades. E nos anos em que não há o congresso da SBIn, iremos estimular os associados a participar do congresso da IAIS”, diz o professor. O simpósio que aconteceu neste mês é uma preparação para o ano que vem: “estamos aprendendo a andar. Este ano ainda não tínhamos muito recurso, por isso optamos por fazer um simpósio. Ano que vem, nesta mesma data, iremos fazer o primeiro congresso brasileiro da SBIn, que vai ser um evento grande”, diz o professor.

O simpósio deste ano reuniu cerca de 300 participantes e a expectativa é de que entre 400 e 500 pessoas participem do congresso no ano que vem. “Estamos muito animados com a ideia de que a SBIn poderá dar uma grande contribuição científica para o desenvolvimento das áreas biomédicas no Brasil”, se entusiasma o professor. E reitera que a SBI é uma parceira importante no processo de instalação da SBIn – foi a principal interlocutora da IAIS na ocasião do congresso internacional da Associação no Brasil, em 2013 – que Cunha considera ter obtido grande sucesso. “A SBI deu muito apoio tanto em logística quanto com recursos para a instalação da SBIn. Outras sociedades de ciência básica estão apoiando, mas a SBI foi a que deu o primeiro passo nesse sentido. Certamente seremos parceiros muito próximos”, prevê. Para João Viola, presidente da SBI, tanto a refundação quanto o fortalecimento da SBIn têm extrema importância para as ciências biomédicas por poder “congregar diferentes visões para uma área de grande relevância como a inflamação, proporcionando uma atuação multidisciplinar”. Ele lembra que a imunologia continua sendo um importante componente da resposta inflamatória e que por isso “certamente as duas sociedades, SBI e SBIn, serão grandes parceiras”.

Créditos: SBI